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  • barretoraphaela

A polêmica do anticoncepcional



Nossos hormônios são tudo o que temos. Indicam nossa felicidade, tristeza, êxtase, excitação, furor, ansiedade ou depressão. Eles nos comandam. Fazem nos ser quem somos. E é por isso, que quando perguntam-me minha opinião sobre anticoncepcional, digo que não deveria ser usado como um simples método contraceptivo.


O remédio que no século XX proporcionou as mulheres um poder de escolha sobre a maternidade afastou-as também do próprio corpo, desejos e vontades. A menstruação continuou a ser vista como suja, se desconheceu o período fértil, a libido ficou de lado e com isso tudo acrescentou-se dificuldade de entender os próprios sentimentos e emoções.


É um sentimento de estar anestesiada, uma tentativa ruim de ser linear o mês todo quando nascemos para ser cíclicas. Minha experiência foi não sentir demais e nem de menos, porque quando meu corpo estava prestes a ser ele mesmo, eu engolia algo sintético. Exatamente como eu me sentia: sintética.


Quando decidi parar de tomar o anticoncepcional soube que o processo de “desacostumar” o corpo seria longo e para falar a verdade, durou quase um ano, mas foi uma das melhores decisões da minha vida. Foi um despertar.


Eu despertei para mim mesma. Descobri minha essência que estava enjaulada por anos. Dei voz aos meus pensamentos, vontades e passei a respeitar todos meus ciclos, que assim como na natureza, também são quatro. E em um mês eu me redescobri várias mulheres em uma só, compreendi cada fase, apaixonei-me por meu sangue e aprendi que poderia engravidar só nesse tal de período fértil.


E descobrindo tudo isso notei como nosso sistema é falho, principalmente na educação do corpo feminino. Que é mais fácil enriquecer a indústria farmacêutica do que mostrar às mulheres como lidar com o próprio corpo. Que remédios naturais, também são remédios, mas são esquecidos.


E quero deixar claro, não sou contra o uso do anticoncepcional, mas sim contra ele ser a primeira opção ao invés da última. Meninas de quinze, dezesseis anos já usam o medicamento, sem nem terem chance de descobrir como o próprio corpo funciona, muitas, com o intuito de não engravidar, quando ter um filho não planejado deveria ser o menor dos problemas se comparado a ISTs (o que uma simples camisinha poderia resolver).


Nos falta instrução. Muita instrução. E para quem já conhece isso, que possa passar adiante para as próximas gerações.


Que as mulheres possam ser livres e se amarem como são. Ser mulher não é fácil, mas pode ser maravilhoso se você simplesmente se permitir.


Raphaela Barreto

(minha própria experiência)

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